Descubra a graça da sua beleza

Há alguns anos atrás recebi a visita de um estudante de Curso Superior. Anos antes fui sua Orientadora Educacional em uma Escola. Ele, um daqueles alunos famosos. Aqueles em que toda a escola sabe o nome, mas a propaganda não é muito favorável. Disse-me ele que em uma das aulas na Universidade, ao primeiro contato com este texto, pensou em agradecer os ENCONTROS com a Orientadora Educacional. Um experimento de GRATIDÃO...Que cada um, após a leitura, permita a revelação da sua beleza da sua graça.

A Beleza e a Graça

Olavo Bilac

Ninguém mais do que eu está convencido da completa e absoluta inutilidade de todas as dissertações e de todas as discussões sobre a Estética. Os julgamentos estéticos valem a inteligência, a instrução, a educação de quem os emite. Um julgamento estético é única e exclusivamente a expressão de um temperamento. Que é a Estética? Dizem todos que é a ciência do Belo. Mas que é o Belo? Não houve até hoje filósofo, ou crítico, ou artista que o definisse bem. As definições do Belo são mais numerosas do que as estrelas do céu e do que as areias do mar; e umas são vagas, outras são nebulosas, outras são pretensiosas e tolas. Desde Platão até Spencer, essas definições se têm vindo acumulando em uma série infinita e inútil.

Platão disse que “o Belo é o esplendor da Verdade”, definição que Boileau imitou no verso: "rien n'es beau que le vrai, le vrai seul est aimable."¹ Mas, em primeiro lugar, que é a Verdade? Essa pergunta, que já Pilatos fazia a Cristo no Pretório, não teve até hoje resposta que a satisfizesse. A Verdade é um sonho. Para conhecê-la e discriminá-la, nem ao menos podemos confiar no testemunho de nossos sentidos corporais, imperfeitíssimos instrumentos de análise, sujeitos a inúmeras causas de erro. Baste um exemplo: a luz de uma das estrelas do Centauro, que é a que está mais próxima da Terra, gasta quatro anos e quatro meses a chegar até nós; assim, se essa estrela morresse hoje, nós ainda passaríamos quatro anos e quatro meses a vê-la brilhar no céu; há com certeza muitas estrelas que já se apagaram, que já morreram, e que os nossos olhos, entretanto, ainda vêem fulgurar no firmamento; como, pois, havemos de confiar no testemunho de nossa visão, se podemos ver, mas positivamente ver, o que já não existe? E, se isso se dá no mundo físico, como poderemos ter a pretensão de saber o que é a Verdade no mundo moral? Ninguém sabe o que é a Verdade... Mas a definição de Platão tem ainda outro grande defeito. Nem só a Verdade, se existe, pode ser bela. Há mentiras belíssimas, - e, sob o limitado ponto de vista artístico, é lícito dizer que a Mentira é sempre mais bela do que a Verdade...

Se de Platão dermos um salto até Spencer – um salto pequeno, apenas de vinte e três séculos... - veremos que o grande filósofo inglês diz que “o Belo é o que agrada”. Mas o que agrada a um home não agrada a outro: é uma questão de raça, de temperamento, de meio; um zulu não pode ter o mesmo gosto um inglês; o prazer estético de um brasileiro não pode ser o mesmo de um abissínio.
Saiamos, porém, do caso geral, deixemos o Belo em absoluto, e cuidemos do tema especial da conferência: a beleza humana, ou mais restritamente a beleza feminina, que é, e sempre foi, e sempre há de ser a inspiração, a tentação, a perdição, a salvação, o bem, o mal, a virtude, o vício, o encanto e o desespero dos homens. A beleza feminina existe, e tem uma influência soberana. Mas que é ela? A idéia da formosura da mulher varia infinitamente, de raça para raça e de homem para homem. Ao velho Aristóteles perguntaram um dia: “que é a beleza?”; e ele respondeu: “só um cego pode fazer essa pergunta!” Parece realmente que basta não ser cego para saber o que é a beleza. Mas nem todos a vêem do mesmo modo. Mirabeau disse bem que “a concepção da beleza feminina está sujeita aos caprichos dos sentidos, do clima, e da opinião individual”.

A Beleza é criada pelo Amor, e cada homem tem o seu tipo de beleza, que é a mulher a quem ama. Por isso Voltaire, quando lhe pediram que definisse o Belo, disse com muita graça e muita razão: “Le beau pour le crapaud, c’est sa crapaude!”²

A verdadeira beleza, senhoras que me ouvis, é a vossa: é a graça; a graça, de que o velho La Fontaine já dizia: “Et la Grace, plus belle encore que la beauté...”³; a graça, que zomba de todas as regras da dimensão e da proporção; a graça, que não tem idade, e não conhece leis; a graça, que transforma os defeitos em qualidade e as incorreções em perfeições. Naquela luta dos sentimentos que me avassalavam no Louvre, quando eu hesitava entre a contemplação da Vênus de Milo e a contemplação das duas visitantes, o que realmente havia era o conflito entre o mármore e a vida, a guerra de competência entre a Beleza e a Graça...

E que é a graça? É tudo.

É em primeiro lugar, a inteligência. Que vale a formosura plástica, quando é a companheira da estupidez? E a inteligência não dá apenas às mulheres uma beleza moral: dá-lhes também uma certa beleza física.

Mas a graça também é a bondade, a doçura, a ternura, a comoção.


A graça é ainda o olhar. Há olhares que saem, lindos, de feios olhos, como há lírios alvíssimos que rebentam de pântanos escuros. O olhar, que é a voz muda da inteligência e da piedade, dá às vezes à mais feia e disforme das faces humanas uma beleza imaterial e divina. E não é sem razão que de todos os “feitiços” femininos é o “feitiço” do olhar o que mais comumente inspira a poesia lírica, - erudita ou popular.

Respeitemos a Beleza, - mas admiremos e amemos a Graça. Para dizer toda a verdade, - a Beleza é talvez uma ilusão. Se o povo diz que “quem ama o feio, bonito lhe parece”, é porque é o Amor quem cria a Beleza. Mas é a Graça quem gera o Amor.

Abri qualquer dicionário, - e cotejai a miséria da palavra – Beleza – com a opulência sinonímica da palavra – Graça. Beleza – é apenas a qualidade do que é belo e do que causa admiração. E Graça? Graça é atrativo, é sedução, é benevolência, é favor, é mercê, é perdão, é comutação de pena, é elegância, é gracejo, é riso, é alegria, é dom sobrenatural como meio de salvação ou de santificação, é privança, é boa aceitação, é agradecimento, é benefício material ou espiritual, é delicadeza, é finura, é sutileza, é inteligência, é espírito, é tudo quanto há de afável e carinhoso... E lembrai-vos, minhas senhoras e meus senhores, que, quando vos dirigis à super-mulher em quem os criadores do poema católico simbolizaram a extrema pureza e a extrema misericórdia, não lhe dizeis: “Ave-Maria, cheia de beleza!”, porém: “Ave-Maria, cheia de graça!”.

("Conferências Literárias", págs. 203, 204, 205, 206, 207, 215, 217, 218, 230. Rio, 1912.)

Autobiografia em cinco capítulos

1)
Ando pela rua .
Há um buraco fundo na calçada.
Eu caio.
Estou perdido... sem esperança.
Não é culpa minha.
Levo muito tempo para encontrar a saída.

2)
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Mas finjo não vê-lo.
Caio nele de novo.
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.
Mas não é culpa minha.
Ainda assim levo um tempão para sair.

3) 
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Vejo que ele ali está.
Ainda assim caio... é um hábito.
Meus olhos se abrem.
Sei onde estou.
É minha culpa.
Saio imediatamente.

4) 
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Dou a volta.

5) 
Ando por outra rua.


(transcrito do "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer" de Sogyal Rinpoche)

Recado de Bernardo Toro à juventude


De forma didática, o educador colombiano Bernardo Toro dá um recado à juventude brasileira sobre o que é e como fazer mobilização social. Fala da importância de organizar-se em grupos, de conhecer a história do país e os mecanismos de diálogo e particpação com o governo.

TEDxAmazônia - Bernardo Toro sobre a coragem de pedir ajuda - Nov. 2010


Bernardo Toro é um pensador multidisciplinar colombiano, que se dedica a repensar a educação no século 21. Toro acredita que não há democracia sem um ensino de qualidade, que torne a criança capaz de compreender o contexto que a cerca.

Estudar Vale a Pena - Conheça a campanha

O poder da visão - Mudança de vida

As cores das flores


Uma criança cega precisa escrever uma redação sobre as cores das flores. O vídeo mostra o desafio do menino para conseguir cumprir a tarefa. A tradução para o português foi feita para o blog "Assim como Você", de Jairo Marques.

Cartilha BULLYING Professores e Profissionais da Escola




O bullying é um termo ainda pouco conhecido do grande público. De origem inglesa e sem tradução ainda no Brasil, é utilizado para qualificar comportamentos agressivos no âmbito escolar, praticados tanto por meninos quanto por meninas. Os atos de violência (física ou não) ocorrem de forma intencional e repetitiva contra um ou mais alunos que se encontram impossibilitados de fazer frente às agressões sofridas. Tais comportamentos não apresentam motivações específicas ou justificáveis. Em última instância, significa dizer que, de forma “natural”, os mais fortes utilizam os mais frágeis como meros objetos de diversão, prazer e poder, com o intuito de maltratar, intimidar, humilhar e amedrontar suas vítimas. Continue a leitura, clique AQUI.

Guia de sobrevivência para aluno do Ensino Médio

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Inspirador vídeo sobre Bioconstrução, envolvimento das crianças e criação coletiva